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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

O urinol de Madame Pompadour


Desde a sua publicação em 02.10.2007, no site de meu amigo Ery Roberto Corrêa, felizardo morador de Curitiba, sempre tive uma vontade louca de publicar integralmente no meu blog esse seu post intitulado O urinol de Madame Pompadour.


Confesso que entre muitos dos meus sites favoritos, que denomino no meu blog como “Fontes de onde bebo”, existem alguns que se eu não consultar umas três ou quatro vezes por dia fico com a impressão que passei boa parte desse período sem respirar. E o site do Ery é um deles e quando tem post novo... ah! aí é sempre uma festa para mim!


Além de excelente escritor, é webdesigner, arte que lhe possibilita brincar com a aparência de seu site, apresentando-o aos seus visitantes sempre com um visual novo e inovador; arte que lhe possibilita construir capas de livros, como a última, do livro de Valter Ferraz, “Capão, outras histórias”, publicado no final do ano passado.


É assim que, lá de Curitiba, sempre me enche de admiração pelas suas criações, seus escritos e principalmente pela sua excelente percepção do que é bonito de se ver, do que é agradável de se ler, do que é interessante de se conhecer, não deixando também de mostrar o seu lado alegre e gozador, brindando-nos amiudamente com fatos e piadas que nos fazem rir gostosamente sem cair nas armadilhas do que é vulgar.


E ontem, munido de uma colossal coragem e vontade de realizar o meu desejo há tanto amordaçado, solicitei-lhe, como de outras vezes anteriores, autorização para publicar esse seu post no meu blog, no que fui prontamente atendido por ele, como sempre de forma prazeirosa e gentil, e com o que, além de enriquecer o meu blog, proporciono um brinde diretamente aos meus visitantes com o que considero uma pérola nacional da Internet.


A partir daqui, tudo pertence a esse post. Vocês vão gostar dele pacas, tenho absoluta convicção!


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Os anjinhos não compõem a imagem original e foram aqui montados apenas para ilustrar.


O saudoso crítico paulista Francisco Luis de Almeida Salles tinha razão quando disse, referindo-se a Olavo Drummond, que "surgiu um contista claro, realista, gracioso, tão mineiro na sua visão das criaturas como a própria humanidade que ele trata nas suas alegrias e tristezas".

Aprendi a gostar do Olavo quando achei seu livro "O vendedor de estrelas" (Editora Arx – São Paulo, 2003, 2ª. edição) na Feira do Livro do ano passado, aqui em Curitiba.

Havia preparado um post sobre um conto engraçadíssimo incluído neste livro, mas descobri uma nota que fazia veemente menção sobre os direitos da obra, cedidos à Editora Siciliano S.A., proibindo reproduções parciais ou totais do conteúdo. Há mais de uma semana enviei um e-mail pedindo permissão para isto, mas não recebi resposta.

Só me restou um caminho: recontar o conto.

Ele é gostoso de se ler porque não dá vontade de parar e contém muito daquela fotografia exuberante feita por Almeida Salles, presente na menção citada. Evidente que o adjetivo gracioso está aqui não apenas em suas significações mais conhecidas de "generosidade" e "graça", mas muito principalmente com o sentido substantivo da comicidade típica do teatro do Século de Ouro espanhol.

Enfim, bom é ler e rir. Pena que certamente não tenha o mesmo efeito recontado por mim. Considerem, porém, meu esforço. Preservarei os nomes de logradouros e personagens e tentarei ser o mais fiel possível ao contexto original. Espero que não me processem. Boa leitura.

O urinol de Madame Pompadour


O ricaço cafeicultor mineiro, coronel Pereirão, tinha recém casado com Ambrosina. Logo nos primórdios da união descobriu que a amada sofria de uma curiosa compulsão. Nem bem havia acabado as sessões de louco amor, a mulher saia em desabalada carreira em direção ao reservado de banhos para se aliviar daquele inapelável ataque diurético.


Um prosaico e sem gosto penico de galalite, onde se lia dupla saudação inscrita em azul – “bom dia” e “boa noite” – na tampa, foi solução nas primeiras semanas. O coronel, tomado de intensa paixão, resolveu dar um fim naquela peça insólita ao decidir decorar a intimidade da consorte apelando para a França. Requisitou um modelo de porcelana de Sévres, com especial requinte, que tornasse a beleza líquida de Ambrosina especialmente decorada.


Se aquela nobre raridade pertencera ou não à Madame Pompadour, era caso de menos importância. O que interessava é que havia saído de um famoso antiquário de Paris e agora estava ali naquele casarão da pequena Serrania, sempre à disposição para socorrer as cada vez maiores esguichadas da doce amante.


Ambrosina ficou encantada com o presente. A peça de Sévres tinha dois anjinhos, em biscuit dourado, enfeitando a alça da tampa. Havia até um certificado, o signatário pouco importava, comprovante da legitimidade do urinol que teria servido aos alívios da favorita de Luiz XV.


A mulher freqüentou tanto aquele vaso portátil que o coronel desfaleceu por não agüentar as avalanches sexuais. Acometido de tísica foi abotoado num pijama de madeira, deixando triste neste mundo a vigorosa viúva.


Ambrosina amadureceu a viuvez cuidando dos anjinhos do urinol como se fosse uma reverência ao falecido. Quando o conforto já se instalava lhe apareceu um terceiro anjinho, só que de carne e osso, na potência dos floridos vinte e poucos anos. O mancebo acabou causando um rebuliço na pequena Serrania. O pretexto inicial de sondar o preço do café da viúva, utilizado por Pedrinho Valente, acabou em nova paixão para a balzaquiana.


A cidadezinha comentava e não entendia a relação. Era estranha aquela trintona experiente passar a perna nas meninas casadoiras assim tão impunemente. Todo mundo queria descobrir o verdadeiro motivo da gamação de Pedrinho por Ambrosina, a misteriosa senhora do casarão. Ele confessou ao padre encarregado de oficiar a união que ela tinha uma orquestra dentro de si.


Pouco tempo e o urinol de Madame Pompadour voltou a receber a líquida descarga de um amor cada vez mais insaciável.


Pedrinho Valente operava transações de café e tinha que viajar para Monte Santo. Ia negociar com o coronel Pedro Paulino. Ainda na estrada foi acometido de uma concreta nostalgia que lhe afligia a alma e corroia o coração. Sua cabeça girava ao relembrar do gozo de Ambrosina que vazava daquelas contorções e gritos frenéticos e depois produzia um estado de voluptuosidade que a levava ao nobre penico. Os tímpanos beiravam ao estouro só de lembrar daqueles jatos maravilhosos retinindo na porcelana da Rive Guache. Tomado de inigualável ardor e já incomodado por interminável ereção, tendo até ensaiado mentalmente um majestoso improviso para recitar à amada, deu meia-volta e retornou para casa.


Lá chegando e indo direto ao palco do desejo deu com uma Ambrosina como que literalmente pega em flagrante, deitada sobre a cama acusadoramente desarrumada, ainda com a respiração arfante e pele suada. Sobre o criado-mudo, ainda não guardado, o "santinho" do alcaide Necésio, propaganda de candidato a deputado. Foi um choque. Pedrinho nem precisou perguntar e Ambrosina já foi explicando:


– Meu amor, ele só veio entregar a propaganda. Quer o meu voto, mas acho que não vou dar. Além do mais ele também é dos tais que prometem tudo, mas na hora da onça beber água escondem o líquido.


Para provar sua verdade picou a propaganda em pedacinhos e destampando o vaso cheio mandou o prefeito boiar aos pedaços lá dentro do urinol. Valente caiu em amargura e adoeceu. Sentindo as dores de uma galhada crescente em sua cabeça não resistiu e, em poucos dias, morreu consumido por cruel decepção.


Acometida de profundo remorso, a insaciável desabou doente. Tempos antes de passar do estado líquido para o gasoso e viajar para o além, foi ao cartório e fez o testamento dos seus bens doando-os à paróquia. Cuidou de separar o urinoir de Pompadeour para presentear Eleutéria, sua honorável amiga, esposa de conhecido boticário. Sem saber do que se tratava o casal adotou a linda relíquia como um enfeite e elegeu a mesa de centro da sala para acolhê-la. Em perfeita disponibilidade à visão das inúmeras visitas que por ali passavam, numa tarde foi vista por um caixeiro viajante, vendedor do sal de frutas Eno, que se encantou com a peça e resolveu fazer oferta irrecusável para levar o achado para São Paulo.


Conta-se que, depois de possivelmente ser arrematada em leilão, a porcelana de Sévres foi vista pela última vez numa mansão do Morumbi, agora servindo como sopeira de jantares festivos.

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I bibida prus músicus!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Vão encher a paciência dos raios que os partam!

Minha amiga Divina Scarpim, titular do blog Vida Cadela, que recomendo a todos os meus amigos, publicou no dia 6 pp uma crônica da sua lavra a que ela deu o título de “Me perguntaram por que gosto tanto de criticar e questionar deus...", onde ela inicia dizendo: “Tantos religiosos vêm tentar me converter de todas as maneiras que não tenho outra saída se não pensar no assunto!”. A partir daí, destila maravilhosamente toda a sua insatisfação com aqueles distintos salvadores de almas.

Terminada a sua leitura, tenho de confirmar que ela acertou na mosca com as suas palavras e eu lasco o meu chamegão depois da assinatura dela, adoçando tudo o que ela disse lá (Lá-lá-la, lará-lá-lá! Sem cacografia!).

E acrescentaria mais à matéria motivo do post dela e que quase transformou este meu post num comentário no do dela, neste momento em que estou com boca amarga pela bilis descarregada pelo ataque sofrido pela minha vesícula, conseqüência automática das reações do meu corpo e que sempre acontece quando trato deste assunto.

Porque eu quero mais é que aqueles anjos do paraíso dos raios que os partam, que adoram ver a gente de saco cheio, não só nas manhãs dos domingos, - Quase todos, Virgem Maria! - mas também em todos os outros dias da semana, conforme ela bem descreveu, sigam em outra direção que não o da minha casa. Por exemplo, o caminho que vai pra casa do Inácio!

Na rua atrás da minha casa tem uma igreja evangélica. Tem uma igreja evangélica na rua atrás da minha casa. (Nossa Senhora! Quanto estardalhaço linguístico!). Parece que a porta por onde entram os desgraçados dos seus abençoados (os únicos entre todos os filhos de Deus) fica defronte à porta da minha casa, tal a intensidade do som do auto-falante de umas 30 polegadas que fica no ponto mais alto do telhado do prédio da igreja deles que, para mim, deviam (a porta e o auto-falante juntos) estar de frente para onde descarregam os seus acólitos: dentro do panelão cheio de doce de coco fervente do inferno!
o
E tem mais, suas ínguas! No dia do juizo final, quando todos batermos as botas, abotoarmos o paletó, vamos todos dançar ao som do trio elétrico da merda da Ivete Sangalo no arraial do capeta, no meio de um poeirão e de um calor desgraçados. E o castigo será o de que não haverá refrigerantes nem cerveja gelados. E não adianta me contestarem porque na Bíblia está escrito que é mais fácil levarmos no trazeiro do que um camelo passar pelo buraco da agulha. Não é bem assim que está escrito, mas é o que deve ser entendido!

Foi também muito boa a lembrança da minha querida blogueira sobre o caminhão das pamonhas de Piracicaba. Em consonância com essas reminiscências torturantes das nossas vidas, escrevi uma crônica que coloquei aqui mesmo no meu blog intitulada A caminhonete do gás, onde descarreguei toda a minha réiva e ódio que estavam incomodando a mais absoluta pureza que existe imaculada dentro do meu coração - Vocês sabem disso! - contra esse monstro escomunguento que me acorda e me assusta todas as manhãs, sem que tenha havido uma solicitação minha nesse sentido.

Ficam sobrando assuntos dessa natureza para alguém escrever sobre eles: o vozerio dos auto-falantes tonitroantes da kombi da padaria lá dos quintos dos infernos que vende pães por aqui, das outras kombis de supermercados anunciando a boa nova do desconto do xuxu e da manga desta segunda-feira, da F-100 dos abacaxis de Xanxerê, da outra kombi das sardinhas de Angra e aquela outra da festa hippie do Penedo. Tem também aquela aporrinhação da quadrilha de paraplégicos vendedora de drops, cuja renda vai pra eles e pro restante do bando de vagabundos que os empurram em suas cadeiras de rodas pra cá e pra lá. Pra camionete do não sei lá mais o quê... e por aí vai.

Mas há uma esperança, com várias saídas, bem pertinho de nós resendenses, podendo quase que serem vistas daqui da cidade. Se elas são radicais, a esperança de dias mais calmos e sossegados é, porém, compensadora: mudar pra Vargem Grande ou pra Formoso. Pra Arapeí ou pra São José do Barreiro, dá não! Dizem que por aqueles cafundós está a mesma bosta!
ooooo
Por conta disso, estou indo hoje á tarde pra Bocaina de Minas, outra opção de mudança colocada entre os meus prováveis destinos, caso não consiga suportar mais as agruras desta cidade de Resende. Vou passar o reveillon com a minha família lá na Pousada Moinho d'Água. Nadar de piscina, tomar uma sauna, comer muita comida mineira (frango caipira!), andar de cavalo, ficar com a bunda toda assada...
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Uma boa passagem de ano para todos, paz, alegria, tranqüilidade e muito, muito dinheiro para todos os amigos e visitantes desta bosta de blog para o ano que se inicía.
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Digo bosta de blog porque bonito ficou o blog perplexoinside! Vai lá e dê só uma oiada! Foi feito pelo meu amigo Ery Corrêa.
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I bibida prus músicus!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

É Natal! É Natal! Sinos de Natal!

O Natal é uma merda! - Em principio, é assim que penso.

De uma maneira menos catastrófica, também penso como o Ery Roberto nas suas lamúrias sobre o Natal, quando ele passa a sofrer de uma doença chamada pelo nome de dezembrite, conforme ele revela no seu blog com a crônica Carta à Mãe.

Nela, o Ery nos fornece dois links, sendo que o primeiro nos remete ao blog do Jayme Serva, criador do termo dezembrite, doença que atinge os humanos e cujos sintomas ocorrem nesta época natalina, sendo brilhantemente explicados na sua crônica intitulada A epidemia volta.

No segundo link, o Ery nos encaminha ao blog do Lord Broken Pottery que também nos brinda com um lindo post nomeado de Coral de Natal, envolvendo-nos igualmente com as festas natalinas, deixando transparecer, sem o declarar textualmente, que também sofre dessa tal de dezembrite.

Três crônicas sobre o Natal, tão espetaculares quanto os seus criadores, que em seus escritos se utilizam de uma fluidez e objetividade adequadas ao momento ou à época por que estamos passando, usando, em determinados momentos, de uma candura sublimada para decifrar um sentimento de nostalgia sobre essa festa, e por outro, de um sentimento diferente, oposto àquele, onde a alegria que deveria ser própria do Natal fica parecendo àquela “forçada no carnaval, onde todos temos quase que a obrigação de ser alegres, festivos e rebolantes, incomodando mais que o Natal” (Valter Ferraz, aqui, ó!).

Essa citação é de um comentário de um visitante ilustre numa das três crônicas em pauta. E nos comentários – totalizando 83 nas três crônicas até o momento - residem, seguramente, palavras tão próprias delas, não propriamente delas, que nos levam a descobrir que o mundo está repleto de dezembritíticos (Essa quem criou fui eu. Olha lá, hem!), onde palavras e expressões como tristeza, mágoa, dor, resignação, irritabilidade, banzo indefinido, solidão, alienação, aflição, constrangimento, inflamação da sensibilidade provocada pelo Natal, constrangimento, alienação voluntária, depressão profunda compulsória, exumação de um sentimento interior e outras que tais são bastante comuns. Se por um lado são palavras ligadas às lamúrias contidas nas três crônicas, por outro, as suas inserções no contexto são perfeitamente coerentes e simplesmente transformam a leitura de todos os posts – crônicas e comentários – em momentos de pura magia.

Senão, vejam este outro: “Natal só tem graça quando se é criança ou quando se tem filhos pequenos. De resto, é só uma encheção de saco e uma overdose de estupidez e cafonice” (Marcio Gaspar, aqui, ó!). O mesmo comentarista completa em seguida: “Opa! Salva-se a comilança...”

Um outro: “P.S.- Tu não achas que o Natal acabará como um Dia da Criança, uma coisa meio sem graça? Não noto nenhuma magia em meus filhos. O Natal, na minha época, era algo aguardado, um acontecimento, uma data que eu esperava com a maior ansiedade. Qualquer marketing excessivo é nauseante. Hoje, o Natal é chato e nem digo mais Feliz Natal, só me refiro ao Ano Novo.” (Milton Ribeiro, aqui, ó! Navegue nos comentários que encontrará o dele.)

Cheguei mesmo a copiar um comentário numa das três crônicas dizendo que "Natal é coisa de viado.", porém, ao escrever algumas destas mal traçadas linhas, demorei-me um pouco e quando voltei ao post para linká-lo, eis que ele não estava mais lá. Foi pro espaço, com acento agudo e tudo!

Claro que existem comentários de pessoas que têm o anti-virus da dezembrite por natureza e que não deixaram de expressar as suas opiniões inversas ao mote das três crônicas, transformando tudo num bate-papo elegante e, porque não dizer, repleto de um humor extremamente refinado.
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Também sofro do raio dessa dezembrite e faço coro com todos os que se lamuriam a respeito, desde os criadores das crônicas até os comentaristas.

Assim pensava eu até ontem à noite, com toda a família reunida, quando meu filho Magno e sua esposa Lígia, que estão de passagem por Resende e antes do Natal partem para São João Del Rey, terra da família dela, distribuíram antecipadamente seus presentes aqui em casa, iskrusivi pra mim.

Até então não havia pensado em presentear ninguém e, como conseqüência dessa ausência de disposição, não havia comprado nada, nadinha mesmo de presentes, seja para quem quer que fosse. Afinal, todos os que me conhecem sabem perfeitamente que soy hombre macho pra caramba, porém, não extremamente rígido nas minhas convicções a ponto de deixar de remover ou modificar algumas delas se a réplica, mesmo visual, for convincente, tanto fazendo que seja na forma de uma emoção, grande ou pequena. Nesse momento, presenciando meu filho e sua esposa demonstrando não um costume criado pelas forças de mercado mas sim uma exteriorização de seus sentimentos mais profundos para conosco, me derreti todo e foi tudo uma alegria só. O que era lamúria transformou-se em festa, em abraços e beijos e resolvi que no dia seguinte – hoje - deveria partir para as compras e aí, não visando somente os dois mencionados, porém, toda a família. Porque, se dá pra um, tem que dar pra todo mundo, senão é aquela ciumeira desgraçada.

Aí, conversando com o meu amigo Tóia, nosso pensador aqui do bairro do Manejo, sobre esse assunto, ali no meu botequim da também minha esquina, ele me saiu com esta:

- Óia aqui, Norival. Esse negócio de dezembrite é tudo papo-furado, por que todos os que gemem e choram por causa das dores dessa doença são os primeiros a soltar foguetes no momento inesperado em que são presenteados por um ente querido, podendo ser parente ou não, fazendo com que a moléstia desapareça como por milagre, virando crianças novamente. Na realidade, essas pessoas são como o abacaxi (a bromeliácea, mesmo!) que por fora é todo espinhudo, como as palavras que elas dizem sobre a dezembrite, mas por dentro, ah! por dentro são doces e perfumadas como os seus corações, espelhos das suas almas.

E olhem que estamos na época da safra de abacaxis!

Como estou? Ora, curado da dezembrite e de novo totalmente impregnado do espírito natalino que o pedófilo do Papai Noel tanto gosta.

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Este artigo é uma modesta homenagem a quatro personagens: em primeiro lugar, ao meu amigo virtual Ery Roberto que com sua crônica Carta à Mãe ia me levar a postar apenas um pequeno comentário sobre ela. Aí, logo no início dela ele me deu um empurrão e fui cair na crônica do Jayme Serva. Mais um empurrão e caí na crônica do Lord Broken Pottery. Aí, lendo todos os comentários das três crônicas, achei a picada no meio da mata que me conduziu a escrever o que escrevi aí pra cima. Até então, eu estava enroscado no meio de um cipoal de idéias sobre o tema natalino, mas sem qualquer concatenação uma com a outra. E eu queria porque queria escrever algo sobre o tema natalino. Assim, com suas respectivas crônicas, esses três blogueiros me ajudaram a enfiar o fio na bunda da agulha. A esses dois últimos blogueiros estendo, portanto, as minhas homenagens.

E finalmente, em quarto lugar, homenageio a todos os comentaristas das crônicas saboreadas daqueles três monstros da palavra, que com seus pensamentos sobre a dezembrite, transformados em belos escritos, possibilitaram que eu fizesse o que fiz.

Um outro proveito – Grandioso! - foi conhecer alguns blogs que a partir de hoje passam a enriquecer as “Fontes de onde bebo”, embutidas no elemento de página da coluna da direita do meu blog.

Desejo a todos os meus visitantes um Feliz Natal, um próspero Ano Novo, um big Carnaval e uma animada festa junina, com prorrogação para as festas julhinas. No Natal de 2008 voltamos nessa mesma arena, combinados?

I bibida prus músicus!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Copa de 2014 e o pogreço do Brasil

Agora está todo mundo, de todos os segmentos da sociedade brasileira, sendo entrevistado para opinar sobre o quê que a 20ª Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada no Brasil em 2014 (Sabiam?), trará de proveitoso para nós. Começaram ontem mesmo, logo depois de anunciada em Zurique que, para quem não sabe, fica na Suíça, que fica no centro da Europa.

Enquanto rodo sem pausar no PC a música
”Samba Meu” , na voz de Maria Rita (filha de Elis Regina), do CD de mesmo nome, que eu, muito vivo, capturei no blog do meu amigo Ery Roberto, no excelente post onde ele trucida, no sentido de iluminar os nossos conhecimentos, pelo menos os meus, o conteúdo do CD e a trajetória dessa cantora que sempre quando abre o bico nos delicia com recordações saudosas da sua mãe, fico aqui matutando sobre o tamanho do saco que terei de carregar pendurado até 2014, dia após dia, vendo e ouvindo as mais estapafúrdias idéias e os mais ruminantes suspiros dos graaaaaandes pensadores e projetistas desta bosta de país.

Acompanhando essas vontades que transcendem meramente a frustração por não terem aquilo que pensam que deveriam ter mas não têm, e pensam que em 2014 terão, antevejo também, logo em seguida a cada entrevista, aquela chamadinha na televisão dizendo: “- Faltam apenas 2400 dias para começar a copa do mundo.” 6 anos e 7 meses, a partir de hoje. Podem conferir!

Como até o presente momento não deram a mim a mais longínqua esperança de me exprimir a respeito nos órgãos genitais masculino e feminino escritos, radiofônicos ou televisivos, desembucho aqui mesmo, ao meu modo de papagoiabês, que hoje, o dia todo, anda muito puto da vida, fato que pode ser comprovado no post anterior.

Assim sendo, vislumbro, com uma visão deveras profunda, que ultrapassa os limites de Resende, podendo ultrapassar os limites geográficos de
Queluz, São José do Barreiro, Maringá ou Barra Mansa, imagens de um Brasil no futuro, como não podia deixar de ser um vislumbramento, estampadas na forma de manchetes de jornais do dia 1º de junho de 2014, entre as quais:

- Copa do Mundo começa daqui a 10 dias. Jogo de abertura, entre Islândia x Botswana será em Curitiba. Todos os ingressos já foram vendidos, sendo que 70% deles adquiridos pela prefeitura de Xanxerê.

- Parreira não admite mudar escalação do time titular.

- Zagalo permanece em Petrópolis, espionando a equipe do Usbesquistão, nosso primeiro adversário na copa.

- Luciano do Vale monta central nacional de transmissão da Globo em Quixeramobim, local inicialmente descartado por Galvão Bueno, falecido há 4 anos.

- Presidente Lula não poderá assistir aos jogos da copa porque deverá visitar mais 8 países africanos e cumprimentar o pessoal brasileiro que cuida da nossa base estratégica da Antarctica. Com isso, evita ser vaiado no Maracanã, na partida final.

- Faustão deixa a Globo e vai para o SBT.

- Gugu é sondado pela Globo.

- 3º Foguete brasileiro explode na base de Alcântara. “- Não tem problema! - Disse o comandante da base. – Em cinco anos construímos outro novo em São José dos Campos.

- Morte de traficantes no Rio cai nos últimos 9 meses para 37.230 em comparação com o mesmo período do ano passado que foi de 37.232.

- Vidro moído no chocolate com leite desinfetado da merenda escolar de Petr.... Não! Aí já é sacanagem demais. Parei por aqui!

I bibida prus músicus!

domingo, 16 de setembro de 2007

Grêmio Recreativo Escola de Samba Ilha da Fantasia

É por causa de pessoas que pensam como o cidadão brasilei-ro Ery Roberto Correa, que não consegue reter apenas para si as conclusões de seus pensamentos, mas que os transformam em textos como os que somos brindados de forma amiúde em seu site Infinito Positivo, para gáudio e apoio àquilo aos que pensam como ele, que também acredito que essa fase da política brasileira pela qual estamos passando vai passar, assim como passaram outras.

Nesta semana, ele nos presenteia com o
texto que leva o título deste meu post, tendo sido eu o usurpador da sua (Ery) criação. Aconteceu que no momento em que postava o meu comentário para ele saber da minha adesão ao que ele havia escrito, ocorreu-me uma disfunção cerebral, uma anomalia que me acomete quando menos espero e que me embaralha todos os sentidos e pensamentos, principalmente estes. Aí, fico babando, rodopiando os olhos nas suas órbitas, ponho-me de pé e passo a imitar diversas atitudes dos macacos. Minha mulher, Luísa Maria, corre para me auxiliar me fazendo um cafuné, depois do que, espantosamente, volto ao normal, pensando ainda na mesma coisa que estava executando. Só que a partir desse momento, o meu raciocínio está expandido para além do normal, obrigando-me a dar um rumo diferente àquele que estava tomando, dentro da mesma lógica, entretanto. Então, encerrei o meu comentário praticamente no ponto em que estava e me agarrei na elaboração do que aqui vocês estão lendo.

Como sempre, nesse texto o Ery abre as cortinas da sua experiência e criatividade para mostrar todo o seu conhecimento, toda a sua expectativa e toda a sua frustração ao som dos acordes do pum-bum-bati-cum-bum-pruqurundum do Grêmio Recreativo Escola de Samba Ilha da Fantasia, cujos galpões para ensaio são justamente os dois prédios do Congresso Nacional em forma de meia lua. Ao final da sua crônica, abandona as mágoas e, como numa premonição, nos apresenta, com todo o seu entusiasmo, o desejo incontido de um futuro onde os nossos filhos, ao menos num instante que seja, merecem a realidade para ajudarem a rasgar a página infeliz da nossa história e verem a "cidade ser feliz e cantar até o dia clarear” ”.

Aqueles que o visitam rotineiramente, não apenas como admiradores do seu estilo como escritor, mas como integrante de um mesmo coral do qual todos fazemos parte, onde nossas vozes são uníssonas nos protestos contra tudo o que denigre a Nação, comungando dos mesmos ideais da nacionalidade que nos é comum, jamais deveremos deixar que nos amordacem, mesmo que temporariamente alguns senadores e deputados, fazendo parte, agora não de um coral, porém de um curral, pensem, ajam e zombem das nossas instituições mais sagradas, aí se incluindo o Congresso Nacional e, por extensão, o Povo Brasileiro, como se estivessem na casa da Mãe Joana.

Nós, como eles, somos temporais. Os princípios éticos, todavia, são atemporais, e eles – senadores e deputados – são responsáveis pela memória do Congresso Nacional, onde jamais se viu tanta corrupção, sordidez, pouca vergonha e a mais grotesca cara de pau.

Fico feliz, de certa forma, porque o candidato a quem confiei o meu voto nas últimas eleições para senador pelo meu Estado (RJ), Artur da Távola, teve o seu total de votos sobrepujado pelos seus adversários na refrega dessa ocasião, ficando ao largo do trio Mamãe eu quero mamar, Aleluia destas bandas fluminenses, cujos integrantes, evangelizados pelo bispos do PT, votaram pela não cassação do mandato do Renão Saiodakinão na semana que se encerra amanhã.

Brasileiros, como o Ery Roberto, existiram e existem em todos os cantos deste imenso Brasil, agindo e pensando como verdadeiros patriotas, para que não se extinguam nem sejam levados ao ostracismo os fundamentos dos que construíram esta nação.

Saibam, então, os 46 senadores que votando ou se abstendo de votar para evitar a defenestração do Renão Saiodakinão que:

- Do Congresso Nacional, com a sua destinação de símbolo da nacionalidade, deve emanar a autoridade que emana do sufrágio livre, a Toga impoluta que aplica os decretos, tudo sob o manto invisível do escrúpulo da Constituição, a mística unção pelo patriotismo de todos: do oficial que o protege, do operário com suas mãos calosas que o engrandece, da criança com seus livros e seu riso, do universitário com a sua pureza. Não a vontade pessoal de senadores e deputados, mas os desejos e as necessidades do povo brasileiro, que em eleições livres sufragou seus nomes para cumprirem os seus mandatos como legisladores, sendo implícita para essa função que as suas ações estejam sempre em consonância com a Ética, agindo conforme compromissos comuns, não de conchavos em seus corredores, mas em reuniões abertas ao público e aos veículos de comunicação, para que todos vejam que ali todas as decisões são tomadas sob a absoluta limpidez na Honra. Da absoluta exação do Dever. Da absoluta imparcialidade no Juízo. Do absoluto rigor no Julgado. Da absoluta submissão à Lei.

- Ali, no Congresso Nacional, todos devem se congregar para manifestar obediência completa ao horror a qualquer coisa que o atraiçoe. A tudo que o conspurque. A tudo que o comprometa.

- Ali, no Congresso Nacional, todos devem se congregar para manifestar obediência completa ao horror à Mentira e à Injúria. Ao Furto e à Violência. Ao Compromisso e ao Negócio. Ao Embuste e à Opressão”.

- Ali, no Congresso Nacional, devem os seus membros atuarem e agirem conforme a conduta de Rui Barbosa, proclamando a força do Direito e a sabedoria das ruas e dos campos.

Esses 46 senadores podem estar certos de uma coisa: eles podem nos entristecer, nos magoar, nos vilipendiar, nos gozar, rir de nós acintosamente. Podem perjurar e peculatar. Podem ser corrompidos ou corromper. Mas não tirarão, nunca, a nossa esperança de um Brasil grande, visto não pelo seu tamanho físico, e sim pelo princípio mais simples e sublime de seu povo: a confiança.

I bibida prus músicus!

Notas:
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1) Em itálico e nesta cor, o fechamento da crônica do Ery;
o
2) Em itálico e nesta cor, trechos do Discurso “Alocução à Bandeira”, proferido por Jânio Quadros, então Prefeito de São Paulo, em 18/11/1953.

sábado, 28 de julho de 2007

Saudades de Curitiba

Meu amigo Ery Roberto escreve lá de Curitiba, reclamando do frio que anda mordendo por lá e informando ao mundo, em geral, que “A Sibéria é aqui” (Lá, em Curitiba!).
o
Frio que, de lambuja, anda assolando todo o sul e boa parte do sudeste do Brasil. Acrescente-se ao clamor enregelado dele, o nosso também, infelizes papagoiabas aqui do sul fluminense, onde ontem de madrugada os termômetros ficaram tremendo em torno dos 11 ºC. No Pico das Agulhas Negras, visível daqui da minha casa na sua magnífica imponência, marcação de uma temperatura “alta” para essa época do ano: 0 °C; donde se conclui, por extensão e analogia do pensamento do Ery, que O Polo Sul é aqui, considerando-se esse aqui como toda a região da Grande Resende.
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Pra nós daqui do sudeste, o combate ao dito cujo é feito com sopas bem quentes, quentão, muita roupa, 2 ou 3 pares de meia, muita coberta, não podendo deixar de faltar o cobertor de orelhas - artifício também utilizado lá pras bandas do Ery - e muita, muita cachaça. Para os mais abonados, whisky ou vinho, não podendo ser Old Eigth ou Drurys, tampouco vinhos de São Roque. A ingestão dessas bebidas não permite ao bebedor ascender socialmente, de jeito nenhum: permanece cachaceiro e não ganha pontos pra subir nenhum degrau na cada vez mais apertada escada da classe média.
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Já para combater o frio em Curitiba, reúno a experiência que tive nos meses de agosto dos anos de 1977 a 1980 quando, a serviço, passava uns 15 dias nessa cidade, que considero com uma das mais lindas entre todas as que conheci neste país. Eram uns quinze dias que ali permanecia, sempre com endereço fixo, que servia apenas para dormir e apanhar recados, no Hotel Iguaçu, no centro da cidade, a uma, duas quadras da Rua XV de Novembro. Enquanto de dia realizava visitas à clientela da região, ao entardecer e no varar da noite e madrugada, durante uns dez dias, fazia expediente direto no Parque das Exposições de Curitiba, cujos galpões se localizam na área do magnífico Parque do Barigüi.
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Esse parque é um local de visita obrigatória para todos os que visitam Curitiba, não apenas para apreciar a paisagem levemente ondulada do local, toda repleta de jardins formados por lindos canteiros de flores, de forma planejada e muito bem ordenada, circundados com verdes gramados, mas apreciar também o seu belo lago, sempre visitado por patos selvagens, garças e outros pernaltas. De extensão não exagerada, esse lago tem ainda todo o seu entorno salpicado por arvoredos graciosamente afastados entre si e que recortam com as formas encristadas das copas de suas árvores nesgas do céu curitibano. Árvores, convém que se esclareça, constituidas, na sua maioria, por soberbas araucárias remanescentes das florestas que outrora cobriam todo o Estado do Paraná. De outros ângulos, a visão do horizonte é tingida pelas belas silhuetas dos altos prédios da cidade, compondo um mosaico que, eu diria, é assintosamente idílico, numa declaração escancarada do meu amor por Curitiba. O resultado de uma foto feita no local, de qualquer ângulo escolhido, sempre será motivo de admiração!
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Nesse local turístico da cidade está erigido o centro de exposições, um complexo de galpões de forma hexagonal interligados entre si e que se constitui num dos maiores centros de eventos e mostras da América Latina. E foi aí que vi a cobra fumar por causa do frio, componente do cotidiano da região nessa época, justamente quando esse centro abrigava – E torço para que ainda abrigue! – a FENAM – Feira Nacional da Madeira, evento voltado à indústria moveleira e madeireira.
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oooooooooParque Barigüi, Curitiba, Foto de Arimathéia/Google Earth
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Com sói acontecer nesses eventos, as bebidas e os salgados corriam soltos. O mais ilustre membro das bebidas era o whisky, generosamente representado por algum nome respeitável das produções escocesas e de aclamação unânime por qualquer grupo de whiskistas.
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Então, o expediente na feira começava assim: frio versus whisky, cuja pendenga parecia que não dava em nada porque, com o avançar da noite, a temperatura caía mais ainda. Entretanto, havia umas duas ou três barraquinhas na área de alimentação que vendiam um tal de vinho quente e pastéis, quentinhos, quentinhos, feitos na hora! Uma chaleirona ou um caldeirão repletos com o dito cujo ficava soltando vapor sobre uma chama do fogão. Então, lá pelas tantas, o whisky cedia o seu lugar para o vinho quente que, como o próprio nome diz, é um vinho fervente que leva gengibre, açúcar e não sei lá mais o quê. Sempre me pareceu que é o nosso quentão, onde a água é substituída pelo vinho, desses bem vagabundos mesmo, aqueles vendidos em garrafões de 1 galão que neguinho diz: “- Aê, meu! Nu Natal e nu Anu Novu vô comprá cu meu 13° dois garrafão de vinho Sangue de Boi pra minha família!”.
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Essa bebida, o vinho quente, faz algum efeito, realmente, principalmente obrigar-nos a sair trocando as pernas no fim daquelas noites, que não terminavam por aí!
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Porque, por força das circunstâncias, éramos obrigados*, nós, os donos do stand, a servir de cicerones em Curitiba aos clientes retardatários que permaneciam conosco até o fim do expediente na feira e que não conheciam nada da cidade. (Se eles não nos obrigassem, iríamos de qualquer jeito!) Mas eram os momentos mais deliciosos daquela... digamos... beeeeem... maratona, com os seus diversos momentos de expectativas, senão, vejamos:
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Para jantar, tínhamos sempre duas opções, sendo a primeira no Bairro de Santa Felicidade, com as suas dezenas de restaurantes, cada um mais bonito e interessante do que o outro, e comidas, centenas de tipos de comidas para satisfazer ao mais exigente dos paladares.
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A segunda opção de jantar reservávamos, eu e o Hermannn, para o Restaurante Matterhorn, de cujo endereço não me lembro, onde eu fazia sempre a mesma escolha - por mais gostosas e compensadoras que fossem as outras ofertas - e que era o prato principal da casa: pato com purê de maçãs, elegantemente acompanhado de um legítimo vinho suíço da generosa adega do restaurante, cuja proprietária, Dona Margarida, uma senhora simpaticíssima, era, naturalmente, suíça de nascimento.
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Em seguida, madrugada findando, com alguma reserva de energia para alguma diversão, porque ninguém é de ferro, rumávamos para um local próximo do hotel chamado Stardust para fechar adequadamente mais um dia de frio em Curitiba e onde, muito caridosos que eramos, fazíamos doações de doses de Martini pras moças ficarem escutando as nossas lamúrias.
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* Quando disse éramos obrigados, me referia a mim e ao meu grande amigo Hermann Luiz Koester, representante da minha firma Steinemann, com séde em São Paulo, e com a qual ele dividia as despesas do stand. A minha firma era uma filial da firma suíça Ulrich Steinenann AG Maschinenfabrik, onde fiz estágio técnico e de vendas e tem a sua sede em Sankt Gallen, onde também morei com a minha família por exatos 13 meses, mais precisamente na Letzistrasse, 13, no bairro de Winkeln.
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O Hermann tinha o seu escritório da Rua da Consolação, no centro de São Paulo, representava inúmeras firmas do Brasil, da Europa e do Japão, das quais vendia as máquinas fabricadas por elas, todas destinadas àquelas fábricas e indústrias. Em 1979 a minha firma encerrou as suas atividades e o Hermann me convidou a continuar no ramo, agora como empregado da sua firma de representações. Topei e fiquei trabalhando com ele por mais ou menos um ano. E o Hermann, para finalizar este adendo, conhecia Curitiba como as palmas das suas mãos. Faz tempo que não ouço falar dele, mas espero que ele ainda conheça Curitiba!
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E com essa conversa toda sobre frio e Curitiba, tenho mais um adendo: há uns 15 anos tive notícias de que alguns locais que freqüentei lá encerraram as suas atividades, como o Hotel Iguaçu, o Restaurante Matterhorn e o Rei das Batidas, sendo que este último era também ponto obrigatório diário para uma visita nossa, marcada pela degustação dos mais gostosos tipos de batidas brasileiras e saborosos salgadinhos. Essas ausências me levaram a uma grande indagação sobre mim mesmo: será que sou um pé-frio, ou algo semelhante àquele gato gay americano que prevê a morte de doentes terminais?
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I bibida prus músicus!